DSTI: O indicador que pode bloquear o seu crédito habitação

Entenda como este rácio determinado pelo Banco de Portugal afeta a aprovação do seu financiamento e descubra se está dentro dos limites permitidos

Sonha com a casa própria, mas o banco recusou o seu pedido de crédito? A resposta pode estar numa sigla de quatro letras: DSTI. Este indicador, que mede o peso das suas dívidas no rendimento mensal, tornou-se um dos principais obstáculos para quem procura financiamento em Portugal. Mas afinal, o que é o DSTI e como pode preparar-se para não ter surpresas desagradáveis?

O que é o DSTI?

O DSTI (Debt Service-to-Income) é um rácio financeiro que compara o total dos seus encargos mensais com dívidas ao seu rendimento líquido. Em português, podemos traduzi-lo como “rácio de esforço de endividamento” ou simplesmente “taxa de endividamento”.

Este indicador foi implementado pelo Banco de Portugal em 2018 e reforçado em 2022, com o objetivo de proteger tanto os consumidores como o sistema financeiro, evitando situações de sobre-endividamento que possam levar ao incumprimento.

Na prática, o DSTI responde a uma pergunta simples: que percentagem do seu salário líquido está comprometida com o pagamento de dívidas?

Como se calcula o DSTI?

O cálculo do DSTI é relativamente simples, mas requer atenção aos detalhes:

DSTI = (Encargos Mensais com Dívidas ÷ Rendimento Líquido Mensal) × 100

O que entra nos encargos mensais?

  • Prestação do crédito habitação (que está a solicitar ou que já tem)
  • Prestações de crédito automóvel
  • Crédito pessoal ou consolidado
  • Cartões de crédito (valor utilizado)
  • Descobertos bancários
  • Crédito ao consumo
  • Outras responsabilidades de crédito

O que conta como rendimento líquido?

  • Salário líquido (após descontos)
  • Subsídios de férias e Natal (divididos por 12 meses)
  • Rendimentos de trabalho independente
  • Pensões
  • Rendas recebidas (geralmente 70% do valor)
  • Outros rendimentos regulares e comprováveis

Exemplo prático:

Imagine que um casal tem um rendimento líquido conjunto de 2.500€ por mês. Pretende solicitar um crédito habitação com uma prestação de 750€, tem um crédito automóvel com prestação de 250€ e utiliza regularmente 150€ do cartão de crédito.

Cálculo:

  • Encargos totais: 750€ + 250€ + 150€ = 1.150€
  • DSTI = (1.150€ ÷ 2.500€) × 100 = 46%

Quais são os limites do DSTI?

O Banco de Portugal estabeleceu limites máximos para o DSTI que os bancos devem respeitar na concessão de novos créditos à habitação:

Limites Gerais (desde 2022):

  • 50% para crédito habitação própria permanente
  • 40% para crédito habitação secundária ou investimento

Existe alguma flexibilidade?

Sim, os bancos podem conceder até 20% dos novos créditos com DSTI superior a estes limites, mas nestes casos aplicam-se regras adicionais mais restritivas relativamente ao LTV (Loan-to-Value, ou seja, o montante do empréstimo face ao valor do imóvel).

Situações que podem ter tratamento diferenciado:

  • Clientes com rendimentos muito elevados
  • Situações de transferência de crédito entre instituições
  • Jovens até 35 anos (podem beneficiar de algumas condições mais favoráveis em programas específicos)

Porque pode o DSTI impedir ou dificultar o crédito?

O DSTI elevado é uma das principais razões para recusa de crédito habitação em Portugal. Compreender o porquê é fundamental:

1. Proteção do consumidor

Um DSTI acima dos 50% significa que metade ou mais do seu rendimento está comprometido com dívidas. Isto deixa pouca margem para imprevistos como desemprego, doença ou despesas inesperadas. O Banco de Portugal considera que acima deste limite, o risco de incumprimento aumenta significativamente.

2. Estabilidade do sistema financeiro

A crise financeira de 2008 mostrou os perigos do crédito excessivo. Ao limitar o DSTI, o regulador procura evitar uma nova crise de endividamento das famílias portuguesas.

3. Obrigação legal dos bancos

As instituições financeiras são obrigadas a cumprir estes limites. Mesmo que o banco queira aprovar o seu crédito, ultrapassar os limites do DSTI pode resultar em sanções.

4. Avaliação de risco

Para o banco, um DSTI elevado significa maior risco de incumprimento. Mesmo dentro dos limites, um DSTI próximo dos 50% pode resultar em condições menos favoráveis, como taxas de juro mais altas ou exigência de garantias adicionais.

DSTI vs Taxa de esforço: Qual a diferença?

Muitas pessoas confundem DSTI com taxa de esforço, mas são conceitos distintos embora relacionados:

Taxa de Esforço

  • Mede apenas o peso da prestação do novo crédito habitação no rendimento
  • Cálculo: (Prestação do crédito habitação ÷ Rendimento líquido) × 100
  • É um conceito mais antigo e ainda utilizado pelos bancos
  • Limite recomendado: tradicionalmente entre 30% e 35%

DSTI

  • Mede o peso de todas as dívidas no rendimento
  • Inclui crédito habitação + crédito automóvel + cartões de crédito + outros créditos
  • É uma medida mais abrangente e rigorosa
  • Limite máximo: 50% (habitação própria permanente)

Exemplo comparativo:

Um cliente com rendimento de 2.000€ pretende um crédito habitação com prestação de 600€. Tem ainda um crédito automóvel de 200€/mês.

  • Taxa de esforço: (600€ ÷ 2.000€) × 100 = 30% ✓
  • DSTI: (800€ ÷ 2.000€) × 100 = 40% ✓

Neste caso, ambos os indicadores estão dentro dos limites. No entanto, se o cliente tivesse mais 300€ de outras dívidas, o DSTI subiria para 55%, ultrapassando o limite permitido, mesmo mantendo a taxa de esforço nos 30%.

Como melhorar o seu DSTI?

Se o seu DSTI está elevado, existem estratégias para o reduzir antes de solicitar crédito habitação:

1. Liquidar créditos de menor valor

Priorize o pagamento de créditos pessoais, cartões de crédito ou crédito automóvel que estejam próximos do fim. Cada dívida eliminada melhora o seu DSTI.

2. Consolidar créditos

Juntar vários créditos num só pode reduzir a prestação mensal total, embora possa aumentar o prazo e o custo total do crédito. Avalie se compensa no seu caso.

3. Aumentar o rendimento

Considere incluir um co-titular no crédito (cônjuge, familiar) ou comprovar rendimentos adicionais que não tenha declarado anteriormente.

4. Aumentar a entrada inicial

Quanto maior o valor que conseguir dar de entrada, menor será a prestação mensal e, consequentemente, melhor o DSTI.

5. Alongar o prazo do crédito

Aumentar o prazo reduz a prestação mensal, mas aumenta o custo total. Use esta opção com cautela e apenas se necessário para cumprir o limite do DSTI.

6. Reduzir limites de cartões de crédito

Mesmo que não utilize o saldo todo, os bancos consideram o limite disponível como potencial endividamento. Reduza os limites dos seus cartões.

7. Cancelar cartões não utilizados

Ter vários cartões de crédito ativos, mesmo sem saldo devedor, pode penalizar a sua análise de crédito.

Dicas práticas antes de pedir crédito habitação

Antes de iniciar o processo de pedido de crédito:

  1. Calcule o seu DSTI atual usando a fórmula apresentada
  2. Peça o seu mapa de responsabilidades de crédito ao Banco de Portugal (através do Portal do Cliente Bancário)
  3. Organize a documentação de todos os seus rendimentos
  4. Elimine dívidas desnecessárias com antecedência mínima de 3 meses
  5. Considere o recurso a um intermediário de crédito especializado, como a Prisma Global, que pode ajudar a encontrar as melhores soluções para o seu perfil

Conclusão

O DSTI é hoje um dos indicadores mais importantes na análise de crédito em Portugal. Compreender o seu significado, saber calculá-lo e, mais importante, mantê-lo dentro de limites saudáveis é essencial para quem pretende realizar o sonho da casa própria.

Lembre-se: mais do que cumprir os requisitos dos bancos, manter um DSTI equilibrado é cuidar da sua saúde financeira e garantir que o crédito habitação seja uma conquista e não um fardo.

Precisa de ajuda para avaliar o seu DSTI ou encontrar a melhor solução de crédito habitação? A Prisma Global está preparada para analisar o seu caso e encontrar as melhores condições junto das instituições financeiras, maximizando as suas probabilidades de aprovação.

Consulte aqui mais informações: https://prismaglobal.pt/primeiro-o-credito-depois-a-casa/

Intermediário de crédito vinculado, registado no Banco de Portugal: 7747

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