Dois acrónimos que aparecem em todos os contratos de crédito, mas que a maioria dos portugueses confunde ou ignora. Perceber a diferença pode poupar centenas de euros por ano.
Quando assina um contrato de crédito ao consumo, um empréstimo pessoal ou uma hipoteca, depara-se inevitavelmente com dois números: a TAN e a TAEG. O banco destaca, quase sempre, o mais baixo dos dois. O consumidor olha para ele, sente um alívio e assina. É precisamente aí que começa o problema.
Em Portugal, como em toda a União Europeia, as instituições financeiras são obrigadas por lei a apresentar ambas as taxas. Mas obrigação de apresentar não significa obrigação de explicar e a esmagadora maioria dos contratos limita-se a colocar os valores lado a lado, sem qualquer contextualização. O resultado é previsível: o consumidor fica com a sensação de que compreende o custo do crédito quando, na verdade, está apenas a ver metade da fotografia.
O que é a TAN?
A Taxa Anual Nominal (TAN) é a taxa de juro “pura” aplicada ao capital em dívida. Representa exclusivamente o custo dos juros, calculado em termos anuais, sem incluir qualquer outro encargo associado ao empréstimo. É, por assim dizer, o preço do dinheiro e apenas do dinheiro.
Pode ser fixa, mantendo-se inalterada durante toda a vigência do contrato, ou variável, indexada habitualmente à Euribor a 3, 6 ou 12 meses, acrescida de um spread definido pelo banco. No crédito à habitação, a esmagadora maioria dos contratos celebrados em Portugal nos últimos quinze anos optou pela taxa variável, o que explica o choque que muitas famílias sentiram quando a Euribor disparou a partir de 2022.
Exemplo: TAN
Pede um empréstimo pessoal de 10 000 € a 5 anos com uma TAN de 6 % ao ano.
No primeiro ano, os juros brutos correspondem aproximadamente a 600 € sobre o capital em dívida.
Este valor reflete apenas os juros. Comissões, seguros e impostos não estão incluídos.
O que é a TAEG?
A Taxa Anual Efetiva Global (TAEG) é a medida de custo total do crédito para o consumidor, expressa em percentagem anual do capital emprestado. Ao contrário da TAN, a TAEG incorpora, para além dos juros, todos os encargos obrigatórios associados ao contrato.
O Banco de Portugal define de forma clara o que entra no cálculo da TAEG:
- Juros do crédito habitação;
- Comissões de abertura e gestão de processo;
- Comissão de avaliação do imóvel;
- Comissão de manutenção de contas bancárias
- Prémios de seguros exigidos pela instituição (como seguro de vida e seguro de proteção ao crédito),
- Outros custos exigidos pelo banco para conceder o financiamento
A TAEG é o único número que diz verdadeiramente quanto lhe custa um empréstimo.
É por isso que a TAEG é, invariavelmente, mais elevada do que a TAN. A distância entre as duas taxas é, em si mesma, uma informação valiosa: quanto maior for essa diferença, mais pesados são os encargos acessórios cobrados pela instituição financeira.
Exemplo: TAEG
O mesmo empréstimo de 10 000 € com TAN de 6 % pode ter uma TAEG de 9,2 % se incluir:
- Comissão de abertura: 150 €
- Seguro de vida obrigatório: 8 €/mês
- Imposto do selo sobre juros: calculado à taxa legal
O impacto no custo total:
- Prestação estimada apenas com TAN: cerca de 193 €/mês
- Prestação com todos os encargos incluídos: cerca de 208 €/mês
Ou seja, apesar da TAN ser de 6%, a TAEG sobe para aproximadamente 9,2%.
Na prática, esta diferença representa:
- mais cerca de 900 € a 1.000 € em custos totais ao longo do contrato;
- um encargo mensal superior;
- um custo real do financiamento significativamente mais elevado do que o inicialmente percecionado.
Este exemplo mostra porque é tão importante olhar para a TAEG quando compara propostas de crédito. É este indicador que reflete o verdadeiro custo do dinheiro.
Porque é que esta distinção importa?
Imagine que compara duas propostas de crédito pessoal para financiar uma remodelação de 15 000 €. O Banco A oferece uma TAN de 5,5 % e o Banco B apresenta uma TAN de 6,1 %. À primeira vista, a escolha parece óbvia. Mas a TAEG do Banco A é 10,8 % e a do Banco B é 8,4 %. O banco aparentemente mais barato é, afinal, o mais caro, bastava olhar para o número certo.
Este cenário não é hipotético. Acontece diariamente em Portugal e em toda a Europa. Os bancos apresentam toda a informação exigida por lei, mas cabe ao consumidor compreender o verdadeiro impacto de cada indicador no custo total do crédito. Num compromisso financeiro de longo prazo, estar bem informado faz toda a diferença e o apoio de um especialista pode ser essencial para tomar uma decisão realmente vantajosa.
A regra de ouro
No crédito, há uma regra simples que nunca deve ignorar: não olhe apenas para a prestação ou para a taxa anunciada. O mais importante é perceber quanto vai realmente pagar ao longo do contrato.
A literacia financeira começa precisamente aqui, saber interpretar os indicadores, comparar propostas com rigor e tomar decisões informadas. Pequenas diferenças nas taxas, seguros ou comissões podem representar milhares de euros ao longo dos anos.
É por isso que o apoio especializado faz a diferença. Na Prisma Global, enquanto intermediários de crédito, ajudamos cada cliente a analisar o seu crédito de forma clara, transparente e personalizada, identificando as soluções mais vantajosas para reduzir custos e garantir maior equilíbrio financeiro no futuro.
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Intermediário de crédito vinculado, registado no Banco de Portugal: 7747
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